quinta-feira, 29 de março de 2012

Menino

de: Marcelo Chardosim


Quem é esse menino

Que sempre acorda sorrindo

Depois de dormir ferido

Ninguém faz ele parar



Pra onde vai essa criança

Com papéis e giz de cera

Com heróis estampados na camisa

Esperando seu mundo mudar



Quando é que esse menino

Vai encontrar descanso

Para ouvir seu canto

Não me lembro de vê-lo chorar



Ele tinha poucos anos

E se tornou o rei da Arábia

Ele desenha até hoje

E ainda acredita em heróis



Eu não vou perder

O que eu construí

Não tente tirar isso de mim



Esta vida é minha

E todo meu trabalho

Desde que eu nasci

Tudo para viver por mim.

.

Sinto como se eu quisesse prender o tempo
Deixar parado como fotografia
E ainda não perder o movimento

Vejo tudo que queria passar
e eu aqui parada como fotografia
sem qualquer movimento

Parada no tempo
parada aqui dentro...
Me culpo
é o sentimento

não reajo, não busco
não escrevo
não crio, não invento

Só então
o tempo

espero... aguento
mudo de ideia, mudo a ideia

Me esforço
reforço

a mudança

sem perder da lembrança
ou apagar a esperança

aquele sonho

percebo que no retrato não aparece aquele vento...
que fluiu
passou naquele momento

Ai me levanto
porque não posso perder tempo
e muito menos guardar tudo no peito
aqui dentro

Abro e deixo passar, sair, voar
como um brilho intenso
ou um sorriso ingênuo
sem um aniquilamento
da pulsão, do impulso...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Inevitável

Quando parece tudo perdido
eis que o futuro
faz lembrar o que não deu

e o presente
avisa que vai perder
que é um jogo
um vai-vem-volta
e
foi

quando não se pode piorar
eis que dói de uma vez só
e não está mais só
nessa dor que compartilha

repartida
na partida... despedida
dos erros e caminhos
que não conhecia

mas que sabia
sempre soube
e me avisou e avistou

nesses caminhos tortos
eis que me encontro
um sonho
que deixei

pois só deixei...
o vento soprar
as asas voar
e a liberdade sentir

e porque dói
nunca vou nem vai saber
talvez a dor
seja prazer
e a liberdade
uma prisão

eis então
que me tomo de você
e me faço arrepender
das minhas decisões

que sejam só
nos corações
cheios de vazios
de quentes risos
de rasos dentes

que seja real
o que o ideal
acabou com a gente
e o começo
é só o preço
que se paga
pelo fim
e no fim
se chega a nada
e o nada
se crava em mim

e tudo volta, se revolta
pela falta que senti

e sem demora,
vai embora
o que retorna...

para mim

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AGORA

É a hora que eu não aceito
que rejeito
que protesto
que viro do avesso
e me contorço
só porque eu não quero

Agora é a hora
é quando eu choro
quando espero
e desejo
só porque quero

Agora é a hora
sem demora
volta logo
pros meus braços
meus abraços apertados
e meus sonhos infantis

Porque não aceito não
e eu quero

Agora

domingo, 11 de julho de 2010

(im)Posição

Me encontro entre o sim e o não
o certo e o errado
o conservador e o moderno
o bom e o ruim
a traição e a lealdade
o antes e o depois
o sempre e o nunca
o sonho e a realidade
o amor e o ódio
...

em cima do muro.
Me deixa ficar, tudo fica mais claro... e minha vida não se torna uma escolha, única e invariável... um caminho reto, sem olhar pros lados, sem espandir as perspectivas. Quer viver? eu também. Quer ser livre? eu também. Quer ser feliz? eu também. Quer crescer? quem sabe a gente pula o muro prum lado que ainda não nos impuseram. Mas tem que ser AGORA

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Desperdício

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cansei

Cansei de parecer forte.
Cansei de tentar.
Cansei de remar contra a maré.
Cansei de criticar.
Cansei de brincar de amar.
Cansei dessa vida.
Cansei de preconceitos.
Cansei de tudo isso que me cerca.
Cansei de lutar
Cansei de querer
Cansei de me convencer que seria bom.
Cansei de tentar mostrar que é possível.

Cansei